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5as de Leitura com Diogo Vaz Pinto ou a palavra como ato de heresia
Na sessão de ontem das 5as de Leitura, Diogo Vaz Pinto revelou(-se) muito para além da sua nota biográfica. Poeta e jornalista cultural, diretor das edições Língua Morta, trouxe-nos uma reflexão profunda sobre o lugar da palavra na sociedade contemporânea—um espaço cada vez mais ocupado pela imagem.
Num tempo em que a cultura, e em especial a poesia, tende a ser tratada como um mero ornamento, Diogo Vaz Pinto interpelou os presentes acerca do uso da palavra como ato uma heresia em risco de perder terreno.
Criando pontes entre tempos e vozes, evocou Camilo Castelo Branco, cuja obra permanece viva no bicentenário do seu nascimento, e Eduardo Lourenço, pensador fundamental para compreendermos o nosso próprio reflexo.
Foi uma conversa que nos desafiou a repensar o papel da literatura e da crítica, lembrando-nos da ousadia de insistir em utilizar a palavra. A arte, ao mesmo tempo distinta e inseparável da natureza, manifesta-se como criação humana, mas não se encerra nela. E, nesse percurso, depara-se com as interferências de um narcisismo crescente, que fragmenta o espaço do pensamento e dilui o sentido da experiência partilhada.

