.
“5as. de Leitura, encontro com o jornalista e escritor José Manuel Barata-Feyo”
Com «A Sombra dos Heróis», José Manuel Barata-Feyo presta um “um serviço à nação portuguesa, um verdadeiro serviço à nossa soberania”.
A Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás recebeu, na passa quinta-feira, dia 30 de janeiro, pelas 21h30, na primeira sessão de 2020 do projeto de promoção e incentivo à leitura «5as de Leitura», o jornalista e escritor José Manuel Barata-Feyo, que veio apresentar o livro «A Sombra dos Heróis», “um documento histórico” que “relata a história desconhecida dos resistentes portugueses que lutaram contra o nazismo e pela liberdade”.
A sessão foi conduzida pelo Vereador da Cultura, Nuno Gonçalves, que agradeceu a presença do público, “sempre muito fiel” e salientou a “índole informal, de tertúlia com proximidade, que as «5as de Leitura» têm.
Nuno Gonçalves referiu-se a Barata-Feyo como “um brilhante investigador e escritor”, com um trabalho muito intenso, quer em França quer em Portugal, onde esteve ligado a vários órgãos de comunicação social.
Já sobre o livro «A Sombra dos Heróis», o autarca disse ser “um excelente reencontro com a nossa própria história”, ou um quase “reescrever da história”, “um serviço à nação portuguesa, um verdadeiro serviço à nossa soberania”.
José Manuel Barata-Feyo agradeceu o convite, salientando que “muito me alegra, não por mim, mas porque é uma forma de se reconhecer aquilo que fizeram estas portugueses e estes portugueses quando lutaram em França, em condições que não vale a pena detalhar, contra uma das duas piores ditaduras do século XX na Europa, a ditadura Nazi”.
Dirigindo-se diretamente ao público, Barata-Feyo frisou não querer “fazer aqui um grande discurso, apenas um enquadramento histórico e responder a perguntas que me queiram colocar”.
O autor deu a conhecer que a ideia para o livro - que demorou quase 3 anos a ser escrito-, surgiu de uma pergunta que um amigo lhe fez e que o deixou envergonhado, pois havia trabalhado em França por duas décadas e não sabia se tinha havido portugueses na Resistência Francesa.
Da vergonha, Barata-Feyo passou à curiosidade e para o início de uma investigação, um longo “combate solitário, lá em cima fechado no meio da minha Serra da Gardunha”, disse.
“Encontrar respostas e pistas foi difícil” mas “felizmente há a internet que abre portas para o mundo exterior” e “como quem porfia sempre caça, acabei por encontrar um português, em Tavira, que foi viver para Marrocos, onde se alistou na Legião Estrangeira Francesa” e que viria a ser um dos soldados franceses mais medalhados, revelou o escritor.
Rogério Flores (Roger Flores), foi a “ponta que me permitiu chegar aos arquivos do Ministério da Defesa Francesa, onde fiquei maravilhado ao encontrar documentos com referência a 347 portugueses, que não alteraram o curso da guerra, mas que independentemente do governo português da época e da ditadura” participaram nela, frisou Barata-Feyo.
Numa sessão em que o público colocou diversas questões ao autor, nomeadamente sobre a recetividade do livro em França e também a proveniência geográfica desses 347 portugueses, houve ainda tempo para a revelação de um facto relacionado com a Figueira da Foz.
Um dos portugueses que participou na guerra, Víctor Simarro, nascido em 1919, era natural da Figueira (filho de José e Isaura Simarro), comerciante em Libreville - Gabão (antiga colónia francesa), onde se alistou no exército francês.
A próxima sessão das «5as de Leitura», que terá como convidado o escritor e editor, Francisco José Viegas, realiza-se dia 20 de fevereiro, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal.


