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Professor Sobrinho Simões e os mistérios da evolução humana no Auditório Municipal

Afinal, como é que a aventura da vida começou? E quando é que nela entrou o ser humano? E o que é isso de ser humano? Será assim tão diferente de ser… uma couve galega, um pato ou um grão de arroz? Foi com provocações destas que o inigualável Professor Manuel Sobrinho Simões prendeu, durante quase duas horas, a atenção de muitas dezenas de alunos dos 10.º, 11.º e 12.º anos do Concelho, esta sexta feira, 9 de dezembro de 2016.
«Nós, homo sapiens sapiens somos seres vivos multicelulares capazes de regenerar os nossos tecidos, assim mantendo o “corpo”, e de nos reproduzirmos, assim mantendo a espécie. Como todos os outros seres vivos somos o resultado de um tripé: “Matéria”, “Energia” e “Informação”. Esta última é assegurada por cerca de 20.000 genes que dão origem a cerca de 100 000 ARNs mensageiros e quase dois milhões de proteínas», explicou o cientista e Professor Catedrático fundador e diretor do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular e Celular da Universidade do Porto(IPATIMUP ), um dos três laboratórios europeus acreditados pelo Colégio Americano de Patologistas.
«Quando comparamos o nosso DNA e os nossos genes com o dos outros seres vivos observamos uma homologia maior ou menor (Pode ir de quase 99% em relação aos grandes primatas não humanos e até 30% em alguns legumes, como a couve galega ou o bróculo… eu sei, é assustador e até um bocadinho humilhante, mas é verdade», brincou o especialista que, em 2015, foi eleito o patologista mais influente do mundo pela revista britânica The Patologist.
«Descendemos há milhares de milhões de anos de seres vivos unicelulares e há cerca de 6 milhões de anos de um tronco-comum que deu origem aos primatas não humanos e aos primeiros hominídeos», prosseguiu, embarcando numa viagem que começou na África-mãe e acabou no futuro. «Chegámos aqui graças a numerosas espécies de “homo” que existiram entre o tal tronco inicial e o homo sapiens sapiens atual, e as descobertas recentes apontam, não para uma evolução linear, mas para uma espécie acidental», sustentou. As teorias sobre qual terá sido o elemento fundamental da nossa evolução - o cérebro ou a postura ereta -, a teoria da avozinha, que defende que as cuidadoras que não a mãe é que permitiram a maior reprodução da espécie humana, uma vez que uma mãe a amamentar não consegue procriar, foram algumas das muitas questões e curiosidades abordadas pelo cientista, que alertou para a necessidade de, pela Educação, alterar o futuro. «Não há como o Homem para dar cabo de tudo. E isso pode ter sido bom, para nós, em relação ao Neandertal, mas não será se continuarmos a comer carne como se não houvesse amanhã, com os custos de energia, ambiente e saúde que esse comportamento tem», alertou.
No final da palestra, foram muitos os alunos que fizeram perguntas e não perderam a oportunidade de falar pessoalmente com o Professor Sobrinho Simões.
A palestra “Homo sapiens sapiens. Quem somos, de onde vimos e para onde vamos” foi proferida no âmbito do Dia Mundial da Ciência, numa organização da Câmara Municipal da Figueira da Foz, através do Núcleo Museológico do Mar, contando com a presença do Vereador Carlos Monteiro, em representação do Município.


