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Feira D’Ano de Seiça celebra séculos de tradição com estreia de peça de teatro no Mosteiro de Santa Maria de Seiça
A tradição voltou a cumprir-se em Seiça. Com mais de cinco séculos de existência, a Feira D’Ano de Seiça realizou-se, uma vez mais, no feriado de 15 de agosto, nos terrenos contíguos à Capela de Nossa Senhora de Seiça, reunindo comunidade e visitantes em torno de um dos mais antigos legados culturais da freguesia do Paião e do concelho da Figueira da Foz.
Mais do que uma feira, a Feira D’Ano representa uma ligação viva entre passado e presente, preservando memórias, costumes e práticas que atravessaram gerações. A sua continuidade constitui, por isso, uma importante forma de valorizar o património material e imaterial e de reforçar uma identidade local construída ao longo de séculos.
Um dos momentos de maior destaque da edição deste ano foi a estreia da peça “Maria Formiga e a Mesa Farta dos Professos”, apresentada na Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Seiça. Inspirada na memória, nas vivências e no quotidiano do antigo mosteiro cisterciense, a produção teve três apresentações, às 11h00, 14h00 e 15h00, proporcionando ao público uma nova forma de conhecer e interpretar a história daquele espaço emblemático.
A dramaturgia e adaptação estiveram a cargo de Emanuel Rodrigues, a partir de textos originais da Divisão de Monumentos Históricos do Município da Figueira da Foz. A iniciativa assume particular relevância ao levar a história do Mosteiro para o próprio espaço que lhe serve de cenário, aproximando o património da comunidade através da criação artística e da memória coletiva.
O programa da Feira D’Ano incluiu ainda a celebração da eucaristia na Capela de Nossa Senhora de Seiça, antecedida por uma arruada de gaiteiros, num ambiente marcado pela tradição religiosa e pela animação popular. A componente musical esteve a cargo do Grupo de Cavaquinhos da Sociedade Filarmónica Paionense, que contribuiu para a animação do recinto e para a valorização das expressões culturais locais.
Entre os presentes estiveram o presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, o vereador Manuel Domingues, o presidente da Junta de Freguesia do Paião, José Alberto Carvalho, a 1.ª secretária da Assembleia Municipal, e outros autarcas do concelho. Os responsáveis autárquicos percorreram o recinto, acompanharam as festividades religiosas e assistiram à animação musical.
A realização de mais uma edição da Feira D’Ano reafirma a importância de manter vivas as tradições e promover um legado com mais de 500 anos, assegurando que a memória de Seiça continua a ser transmitida às novas gerações. Num território onde o património assume um papel central na construção da identidade coletiva, iniciativas desta natureza contribuem para preservar o que distingue a comunidade, ao mesmo tempo que permitem reinterpretar o passado e projetá-lo no futuro.
Entre a fé, a cultura popular, a música, a memória e o património histórico, a Feira D’Ano de Seiça mantém-se, assim, como uma manifestação identitária do Paião e do concelho da Figueira da Foz — uma tradição secular que continua a fazer-se no presente e a construir, geração após geração, a identidade de um território.


