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Entre memória e criação: Mosteiro de Seiça acolhe II edição do Programa de Residências Artísticas.
O Mosteiro de Santa Maria de Seiça volta a afirmar-se enquanto espaço de criação e experimentação artística, com a realização da II edição do Programa de Residências Artísticas, que pretendem promover um diálogo entre a criação contemporânea e a identidade do território.
A diversidade de linguagens artísticas constitui uma das principais marcas desta segunda edição, que decorre ao longo do mês de agosto. Três criadores de reconhecido percurso nacional e internacional serão desafiados a desenvolver projetos inspirados na história, na paisagem e nas comunidades que envolvem este Monumento Nacional, sito na freguesia de Paião.
O desafio lançado aos participantes passa pela observação, investigação e interpretação do Mosteiro enquanto património arquitetónico, paisagem cultural e espaço de memória, estimulando novas leituras sobre a história, as comunidades e os saberes locais. Explorar dimensões menos conhecidas da memória do território, como a antiga tradição da alfaiataria no Paião, a construção das barcas chatas utilizadas nos campos do Baixo Mondego ou a longa atividade da fábrica de descasque de arroz que funcionou no Mosteiro entre 1917 e 1971. As vivências ligadas à industrialização do edifício, os sons da moagem, o trabalho das mulheres que remendavam os sacos de juta ou o transporte do arroz por caminho de ferro constituem algumas das múltiplas camadas de memória que poderão inspirar os processos criativos, é também um dos desafios desta II edição.
Assim, entre 1 e 15 de agosto, o Mosteiro acolhe a artista visual Andrea Inocêncio, cujo percurso cruza criação, investigação e ensino, desenvolvendo uma prática interdisciplinar entre o desenho, a fotografia, a performance e a arte urbana, e também a escritora Andreia C. Faria, autora premiada e amplamente reconhecida no panorama literário português, com uma obra que abrange a poesia, a ficção e a escrita para a infância. Entre 16 e 31 de agosto, a residência será desenvolvida por Luís Bittencourt, músico, compositor, investigador e artista sonoro, cuja atividade internacional reúne criação artística, investigação e pedagogia, distinguindo-se pela experimentação sonora, pela exploração de instrumentos não convencionais e pelo desenvolvimento de novas formas de performance musical.
As residências decorrem, simultaneamente, com a exposição "É um grande bruxedo", dedicada à tapeçaria de Portalegre da coleção da Fundação Millennium bcp, permitindo um diálogo entre diferentes linguagens artísticas e reforçando a vocação do Mosteiro como espaço de encontro entre património e arte contemporânea.
Com esta iniciativa, o Município da Figueira da Foz prossegue a estratégia de valorização cultural do Mosteiro de Santa Maria de Seiça, promovendo não apenas a fruição do património, mas também a produção de novo conhecimento e a criação artística contemporânea.


