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Jaime Nogueira Pinto o autor que reflete as suas vivências na construção ficcional
No passado dia 26 de fevereiro, o Museu Municipal Santos Rocha acolheu um encontro com o Professor Jaime Nogueira Pinto, moderado pelo também escritor Nuno Camarneiro, que reuniu numeroso público na Sala de Exposições João Reis, para uma conversa dedicada à relação entre História e literatura.
Ao longo da sessão, onde se destacou a relação entre ficção, memória histórica e percurso pessoal do autor, Jaime Nogueira Pinto conduziu os presentes por universos onde se cruzam realidade histórica e criação literária. Evocando cenários da fase final da Guerra Fria, descreveu uma África profunda marcada pela guerra e pela espionagem, onde soldados sul-africanos patrulhavam o delta do Okavango, enquanto a misteriosa operação ORIX se desenhava entre Washington e a África Austral. Um enredo que percorre várias geografias — de Lisboa a Roma, de Paris a Macau e Luanda — num romance que combina ação, política e reflexão sobre a natureza humana.
O autor recordou também o romance Novembro, obra que transporta o leitor para os anos que antecedem e sucedem a Revolução de 25 de Abril de 1974, cruzando conspiração, revolução e contrarrevolução num complexo xadrez de personagens e destinos, que retrata uma geração e um Portugal entretanto desaparecido.
Num momento particularmente significativo da conversa, Jaime Nogueira Pinto referiu que todas as suas obras contêm elementos da sua própria experiência, integrando memórias, inquietações e vivências que se refletem na construção ficcional.
O autor evocou ainda algumas das leituras que marcaram o seu percurso enquanto leitor e escritor, entre as quais Dom Quixote de Miguel de Cervantes, Os Maias de Eça de Queirós, obras de Camilo Castelo Branco, como Amor de Perdição e A Queda dum Anjo, peças de William Shakespeare, romances de Alexandre Dumas e Guerra e Paz de Liev Tolstói, leituras que, segundo o próprio, contribuíram de forma decisiva para moldar a sua visão do mundo.
O encontro constituiu um momento de grande qualidade literária e humana, reforçando a importância destas iniciativas na promoção da leitura, da reflexão e da memória coletiva.


