'Diabos à solta em Seiça' até junho
É inaugurada no próximo dia 20 de fevereiro, pelas 18h00, no Mosteiro de Santa Maria de Seiça, a exposição “Do Inferno ao Mosteiro – Diabos à Solta em Seiça”, a partir da coleção particular de José Santos Silva, numa proposta que cruza artesanato figurado, imaginário popular e património cultural.
A inauguração contará com a apresentação da peça “Monólogo do Diabo”, interpretada por Luís Ferreira, num momento performativo que ampliará a dimensão narrativa e simbólica da exposição.
A mostra, que ficará patente até 28 de junho e poderá ser visitada de quarta-feira a domingo, das 14h00 às 18h00, presta homenagem às tradições e à dimensão simbólica das criaturas míticas portuguesas, convocando aquilo que a própria sinopse descreve como «a magia que envolve as nossas criaturas míticas», num percurso onde se esbatem os limites entre arte e cultura. Entre o grotesco e o fascinante, estas figuras demoníacas surgem não apenas como encarnações do mal, mas como espelhos da complexidade humana.
Instalada no antigo mosteiro cisterciense — hoje espaço requalificado e afirmado como polo cultural do concelho —, a exposição pretende estabelecer um diálogo provocador entre o sagrado e o profano, entre o silêncio monástico e a irreverência etnográfica.
Trabalhadas em barro, madeira e outros materiais, as peças expostas dão corpo a «seres travessos e enigmáticos» que povoam o imaginário tradicional português. Mais do que representações maléficas, estes diabos populares revelam «a dualidade da natureza humana», num olhar simultaneamente crítico, lúdico e profundamente enraizado na cultura vernacular.
«Esta coleção», sublinha o colecionador, «presta homenagem às tradições populares e à magia que envolve as nossas criaturas míticas, desafiando os limites entre a arte e a cultura. Entre o grotesco e o fascinante, a luz e a sombra, surge um artesanato figurado inspirado nos diabos — figuras maléficas, mas sedutoras, que habitam as lendas e as festas tradicionais portuguesas».
Esta é mais uma iniciativa do Município da Figueira da Foz, que reforça a estratégia de programação cultural do Mosteiro de Seiça, Monumento Nacional, assumindo-o como lugar de memória, mas também de criação e reflexão contemporânea.


