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Mosteiro de Seiça assinala dois anos de abertura ao público como “realidade animada e com vida”
Assinalam-se no final de janeiro de 2026 dois anos sobre a abertura ao público do Mosteiro de Santa Maria de Seiça, após a profunda intervenção de reabilitação que devolveu este monumento cisterciense de origem medieval à fruição cultural e à vida pública do concelho da Figueira da Foz.
A inauguração oficial teve lugar a 26 de janeiro de 2024, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que então sublinhou o carácter excecional do edifício e o desafio colocado à sua ativação. “O primeiro passo foi dado”, afirmou na ocasião, acrescentando tratar-se de um monumento “tão raro no todo nacional que vale a pena aproveitá-lo ao máximo” e apelando a que o Mosteiro se tornasse “uma realidade animada, com vida”.
Dois anos depois, esse desígnio é hoje, sem dúvida, uma realidade concreta. Desde a sua abertura, o Mosteiro de Seiça afirmou-se como um novo polo cultural no interior do concelho, acolhendo exposições, concertos, conferências, visitas guiadas, iniciativas educativas e ações de mediação com a comunidade. Entre junho de 2024 e janeiro de 2026, o monumento registou mais de 14 600 visitantes, número que não inclui públicos de espetáculos gratuitos, de conferências, eventos de grande afluência, como a Feira D’Ano de Seiça ou ações com escolas, como o recente "raid criativo" com os alunos das turmas de Artes Visuais da Escola Secundária Joaquim de Carvalho.
Ao longo deste período, passaram pelo Mosteiro artistas, investigadores e públicos muito diversos. Destacam-se espetáculos que esgotaram a lotação disponível, como os concertos de Rui Massena e Rodrigo Leão, a apresentação do Quorum Ballet, bem como atuações, ainda em 2024, de Martim Sousa Tavares e da Orquestra Sem Fronteiras e da guitarrista Marta Pereira da Costa. O Mosteiro integrou ainda iniciativas nacionais como as Jornadas Europeias do Património e da Arqueologia ou uma residência artística, com cinco criativos contemporâneos de vários pontos do país.
Para assinalar simbolicamente este segundo aniversário, o Mosteiro de Seiça acolheu, ontem (dia 25), a visita guiada de encerramento da exposição “Dispersos: Fragmentos de Memória”, em parceria com o Museu Nacional de Machado de Castro. A visita foi orientada pela Professora Sandra Costa Saldanha, Diretora do MNMC, e incluiu um apontamento musical pelo Coral David Sousa.
A exposição reuniu cerca de 40 obras de escultura pétrea provenientes das reservas do MNMC, fragmentos de patrimónios outrora dispersos, provenientes de igrejas e conventos, hoje exemplarmente recuperados. No diálogo entre estas obras e o Mosteiro — ele próprio resgatado da ruína — cruzam-se memórias, destinos e processos de requalificação patrimonial.
A Câmara Municipal da Figueira da Foz, através da Divisão de Monumentos Históricos, sublinha que o balanço destes dois anos confirma a visão enunciada na inauguração presidencial: o Mosteiro de Santa Maria de Seiça é hoje um Monumento Nacional com vida, programação regular e ligação ativa à comunidade, afirmando-se como um espaço de cultura, conhecimento e encontro no território.


