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25 de Abril celebrado com muitas palavras, mas a precisar sobretudo de decisões e ações
Decorreu ontem, pelas 10h30, na sede da Casa do Povo de Lavos, na freguesia de Lavos, a sessão extraordinária da Assembleia Municipal (AM) comemorativa do 51º aniversário do 25 de Abril, na qual o presidente da Câmara Municipal, Pedro Santana Lopes, e todo o executivo municipal marcou presença.
A sessão, foi precedida pela revista à Guarda de Honra do Corpo de Bombeiros Sapadores e dos Voluntários da Figueira da Foz, pelos presidentes da AM e Câmara Municipal, seguida do hastear da bandeira nacional ao som do hino nacional interpretado pela Filarmónica da Sociedade Artística Musical Carvalhense.
Assistiu-se depois ao período de intervenções, cabendo a honra de abertura ao presidente da Junta de Lavos, José Coelho Henriques, que salientou que “só haverá liberdade a sério quando os direitos fundamentais estiverem assegurados a todos”.
António Fernando do Nascimento Teixeira, orador convidado, referiu que o 25 de Abril é um “acontecimento maior da nossa história contemporânea e um dos mais altos momentos da nossa secular vida coletiva”, contudo também o culminar de um “longo e doloroso caminho que nos havia de conduzir a uma revolução libertadora”.
António Teixeira falou de todo um processo a que se tem vindo a assistir e que considerou “anti Abril, que não vai mais longe devido à prolongada e combativa luta dos trabalhadores e das populações” e referiu que: “O nosso pensamento vai neste momento de celebração também para aqueles que pela sua ação nestas últimas décadas nunca desistiram de defender Abril e as suas conquistas”.
“Comemoramos Abril pelo que Abril significou e significa no presente, mas também pelo que significará como projeto para o futuro de Portugal, acreditando que os valores de Abril são uma necessidade objetiva para um Portugal fraterno e de progresso”, referiu.
Já o Coronel Góis Moço, em representação da Associação 25 de Abril, considerou o 25 de Abril “um marco fundamental da história da paz e da democracia” e exultou todos a um momento de reflexão “sobre os valores conquistados em democracia, mas também os erros cometidos e sobre o porquê de não termos conquistado outros valores (…), sobre os desafios que enfrentamos para construir uma sociedade mais livre, igual e solidária, a que todos, todos, sem exceção têm direito”.
A mensagem da Associação 25 de Abril lembrou, pela voz de Góis Moço que “o 25 de Abril continua no coração dos portugueses”, mas é preciso “reafirmar os seus valores fundamentais do 25 de abril: liberdade, paz, igualdade, justiça social e democracia”.
Em representação do Conselho Municipal da Juventude, Eduardo Figueiredo, frisou que o 25 de Abril deixou um “legado magnífico aos jovens, um verdadeiro projeto de país-comunidade onde a liberdade, a igualdade e a fraternidade se afirmam na forma mais pura como valores basilares”.
Eduardo Figueiredo afirmou que “o 25 de Abril é um dia abençoado” e que os jovens sabem que virar as costas a Abril é a tudo o que Abril significa “é abrir mão do mais generoso presente que nos foi oferecido pelos nossos antepassados, pelos nossos pais e avós que lutaram e resistiram tão corajosamente (…)” .
Pedro Miguel Jorge, do BE, referiu que “nunca é demais lembrar que o 25 de Abril une, não separa, inclui, não exclui e cria, não extermina”, e que a “comunidade tem em si a semente que cria uma sociedade justa, livre e democrática”.
Silvina Queirós, pela CDU, sublinhou que “Abril devolveu-nos o orgulho de sermos portugueses e lançou as bases para uma sociedade nova, livre dos grilhões da opressão” e que foi “o resultado de muitos anos de luta persistente”.
“Continuaremos a defender Abril e as suas inestimáveis conquistas, por um país com futuro e liberdade (…)”, defendeu.
Já Manuel Rascão Marques, em representação do PSD, referiu-se ao 25 de Abril como “um dos momentos mais marcantes da nossa história coletiva, a conquista da liberdade e da democracia”.
Rascão Marques lembrou que “a liberdade não é apenas individual. Ela cresce na partilha, fortalece-se no respeito e só completa-se quando é de todos”. O mesmo deixou ainda um repto, no sentido de que todos cumpram a sua obrigação e exerçam o seu dever de voto, demonstrando que percebem a” importância e o poder que ele tem subjacente” .
O grupo de cidadão eleitos Figueira a Primeira fez-se representar por Rosa Reis, que disse “Estamos aqui para assinalar, honrar e afirmar Abril e todas as conquistas de liberdade de expressão e pensamento, o direito à liberdade de organização social e laboral, uma melhor educação, saúde, trabalho, justiça”.
“A Figueira da Foz é um bastião da democracia”, sublinhou a deputada da FAP, considerando também que tendo em conta os tempos que se vivem, “conturbados e difíceis”, em que “os direitos são mundialmente postos em causa, localmente, o poder político cuida desses direitos fundamentais procurando promover a habitação, a saúde, a educação, o desporto, o emprego”.
A deputada do PS, Isabel Tavares Guardão, referiu-se ao 25 de Abril como um “dia marcante e especial “, a “mais gloriosa manhã, do mais glorioso dia da história do Portugal moderno”, em que se “lutava por um “novo paradigma.”
Isabel Tavares sublinhou que “temos sido um exemplo de coragem, liberdade e amor à Pátria. Para o Mundo inteiro somos um país que se soube reinventar” e defendeu que devemos, cada vez mais, falar do 25 de Abril aos mais jovens , “sem reservas”.
À semelhança do deputado do PSD, também a deputada do PS lembrou o dever cívico de voto, salientando que “só exercendo o direito de voto se pode ter uma voz de acordo com a nossa consciência” e o quão importante é manter os jovens informados para “saberem honrar o passado e fazerem escolhas conscientes no futuro”.
Pedro Santana Lopes, presidente da Câmara Municipal, referiu que o 25 de Abril se celebra com palavras, mas que se celebra “sobretudo com decisões e ações”.
O mesmo sublinhou que 51 anos após o 25 de Abril recordamos os 3 D´s: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver, contudo, depois de mais meio século da sua aplicação “com maior ou menor sucesso”, há outras palavras a salientar “nesta cerimónia”: “A Liberdade- para sermos quem somos, acreditarmos ou não, apoiarmos ou não, discordarmos ou não, participarmos ou não; a Verdade – falar com rigor, respeitar o valor da honra, repudiar a corrupção e rejeitar a difamação, não colaborar em processos de manipulação misturando ação política, comunicação social e órgãos de investigação ou administração da justiça, repudiar as fogueiras públicas; a Dignidade – no funcionamento do Estado de Direito, das suas instituições, respeito pelos direitos, liberdades e garantias do ser humano; Solidariedade- com quem sofre porque não tem o que precisa, com os privados dos bens fundamentais da vida (saúde e habitação)”.
Pedro Santana Lopes enfatizou que “na Figueira da Foz se trabalha afincadamente, no executivo, na oposição, nas diferentes famílias políticas” nas mais diversas áreas (saúde, educação, habitação, ação social, inclusão), sublinhando que na região “lideramos nestes vários domínios de atividade e nalguns casos estamos nas posições cimeiras a nível nacional no aproveitamento das oportunidades financeiras e no cumprimento do dever de quem exerce funções públicas”.
José Duarte, presidente da AM, encerrou as comemorações referindo que “hoje comemoramos 51 anos de liberdade conquistada, de direitos recuperados, de dignidade devolvida ao povo português” e recordamos os “Capitães de Abril, mas também todos os que em silêncio ou em voz alta lutaram pela liberdade, pela democracia e pela justiça social”.
“A liberdade e a democracia são conquistas eternamente frágeis exigindo de todos nós vigilância e participação cívica”, advogou José Duarte que também considerou que comemorar Abril não é “só lembrar o passado, é, acima de tudo, assumir o presente e projetar o futuro”.
Alertando para a situação política do mundo e do país, José Duarte lembrou que a “democracia não é apenas o direito a votar, mas o dever de contruir consensos, de colocar o interesse coletivo acima de divisões estéreis” e que “com eleições autárquicas à porta, temos uma oportunidade única para reforçar os alicerces da nossa democracia local, escolhendo com serenidade e sentido de futuro o rumo da Figueira da Foz.”.
“O Mundo precisa mais do que nunca do espírito de Abril, solidariedade, coragem e fé no diálogo”, frisou lembrando ainda o Papa Francisco e a mensagem que transmitia, que “ecoa o melhor do 25 de Abril. A Liberdade nunca é apenas individual é um projeto coletivo assente na justiça e na compaixão”.
Dirigindo-se aos jovens, José Duarte lembrou que: “A liberdade é vossa, usem-na com responsabilidade, defendam-na com coragem e reinventem-na com criatividade”.
Estiveram presentes na sessão vários autarcas, entidades civis e militares e público em geral.


