Ator Santos Manuel perpetuado na toponímia figueirense
No dia em que se celebrou mundialmente a nobre Arte de Talma “O Teatro”, dia 27 de março, o Município da Figueira da Foz procedeu, pelas 18h00, à inauguração do topónimo "Praceta Actor Santos Manuel", junto ao Centro de Artes e Espetáculos (CAE), prestando assim homenagem ao ator figueirense que faleceu em 2012, aos 79 anos, 54 deles dedicados à arte de representar.
Depois, ouviu-se a Marcha do Vapor e as palavras de ordem das guardas de honra do Corpo de Bombeiros Sapadores e dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz.
Já no interior do CAE, no foyer, tiveram lugar alguns momentos de evocação de Santos Manuel. Do elenco do Teatro Experimental de Cascais (TEC), Teresa Côrte-Real partilhou com os presentes a mensagem do Dia Mundial do Teatro, da autoria de Theodoros Terzopoulos, encenador, pedagogo, autor, fundador e diretor artístico da Attis Theatre Company (Grécia), e inspirador das Olimpíadas de Teatro e Secretário-Geral do Comité Internacional das Olimpíadas de Teatro, que lançou um conjunto de questões sobre o papel do Teatro, em particular, e das Artes, em geral.
Já Luiz Rizo, também ele do elenco do TEC, do qual Santos Manuel foi um dos fundadores, juntamente com Carlos Avilez e João Vasco, realizou uma apresentação do currículo profissional de Santos Manuel, que descreveu como um homem que gostava de fazer poesia e de pintar nas horas vagas, “discreto no trato e na vida”, dotado de “talento invulgar e de uma “presença impossível de apagar”.
“Modéstia, integridade, talento, vaidosamente também eu sinto aqui hoje, Dia Mundial do Teatro de 2025, a prestar a devida homenagem a este figueirense tão querido, que nunca é demais evocar”, referiu Luiz Rizo.
Seguiu-se a intervenção de atriz Flávia Gusmão, que leu um texto da atriz Maria do Céu Guerra, sobre Santos Manuel, de quem foi grande amiga.
Carlos Beja, que interveio em nome do filho, Bernardo Beja, professor na Escola Profissional de Teatro de Cascais, lembrou o “homem que nasceu pobre, morreu pobre, mas com a dignidade e integridade dos grandes homens” e que iniciou a sua carreira, ainda jovem, em associações recreativas figueirenses.
“Neste dia sabemos que a cultura e o teatro continuarão na Figueira da Foz, enquanto houver gente que se interesse em resolver os problemas dos cidadãos, mas não esquecer a cultura, o teatro, a memória e a história, frisou Carlos Beja.
Rosa Batista, presidente da Junta de Freguesia de Buarcos e São Julião, referiu ser “perfeitamente justo, legítimo esta homenagem” e salientou a humildade de Santos Manuel, que “cresceu a pulso nesta arte de representar”, “fez história muito para além da Figueira da Foz, mas que nunca esqueceu a sua cidade”.
A presidente da Junta agradeceu a Pedro Santana Lopes e ao executivo municipal pelo descerrar da placa, “neste dia, o melhor, sem dúvida, para homenagear o Santos Manuel neste sítio emblemático da cidade, junto a este espaço fantástico dedicado à cultura e às artes. “
Rosa Batista expressou “gratidão ao ator Santos Manuel por tudo o que deu ao teatro, tudo o aquilo que levou para fora da Figueira da Foz, mas sempre com a Figueira da Foz no coração”.
Rui Gonçalves, sobrinho do homenageado, e em representação dos familiares presentes, agradeceu a Rosa Batista e a Pedro Santana Lopes pela concretização da homenagem ao seu tio, o ator Santos Manuel que “com certeza estará sorridente por esta iniciativa.”
O presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz mostrou-se “especialmente orgulhoso, gratificado” por ter a possibilidade de homenagear o Santos Manuel, “enormíssima figura do teatro”.
“Fica aqui o manifesto bem vivo como o Santos Manuel é e será recordado com um dos grandes nomes do teatro e da cultura em Portugal”, referiu Pedro Santana Lopes que lembrou que a “Figueira da Foz é berço de muitas figuras com percurso notável”, lembrando, por exemplo o ator Camilo de Oliveira.
A cerimónia terminou com a visualização de um vídeo com excertos de trabalhos realizados por Santos Manuel e a declamação de um poema do ator.


