Dia da Liberdade comemorado na Figueira da Foz

O Centro de Arte e Espectáculos (CAE) recebeu, na segunda feira, 25 de abril de 2016, a Assembleia Municipal Extraordinária de comemoração dos 42 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974. A cerimónia começou no exterior, com o Hastear da Bandeira Nacional, ao som do Hino Nacional, tocado pela Filarmónica da Sociedade Boa União Alhadense e com Guarda de Honra pelos Bombeiros Municipais e Voluntários da Figueira da Foz, perante várias dezenas de cidadãos que quiseram associar-se à evocação histórica.
Já no Pequeno Auditório do CAE, a sessão extraordinária da Assembleia Municipal foi aberta pelo seu Presidente, José Duarte, que entregou a palavra ao orador convidado da cerimónia, Joaquim Barros de Sousa. O antigo Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz e atual Provedor da Misericórdia Obra da Figueira recordou o 25 de Abril de 1974, sublinhando a importância da «coragem, sacrifício e persistência» dos envolvidos neste momento de viragem na História do País, apesar dos «excessos» que haviam de ser corrigidos e dos objetivos que ficariam por cumprir na sua plenitude. «De todos os D’s, o de Democratizar foi o único plenamente conseguido», afirmou.
Seguiram-se as intervenções do representante da Associação 25 de Abril, Carlos Cachulo e Costa, e dos representantes do Conselho Municipal da Juventude, Nuno Meneses e Sofia Barros, com duas gerações, pré e pós revolução, a coincidirem na convicção de que «valeu a pena» o 25 de Abril de 1974, havendo hoje condições para uma participação cívica relevante.
Os deputados João Paulo Tomé (Bloco de Esquerda), Mário Oliveira (Coligação Democrática Unitária), Ana Oliveira (Coligação Somos Figueira) e Mário Paiva (Partido Socialista) usaram também da palavra para saudar a Liberdade e a Democracia como valores de Abril e de todos os dias. A penúltima intervenção da cerimónia coube ao Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, João Ataíde, que lembrou «os direitos civis e políticos» como conquistas de Abril que abriram ao País as portas de uma Europa avançada e, com ela, a esperança de um Portugal «democrático, justo e eficiente». Reconhecendo os desafios do Portugal democrático dos nossos tempos, o edil alertou para o perigo do «populismo» e da ausência de «ponderação e rigor» na condução dos negócios públicos, considerando que o «debate sério e construtivo em torno dos principais desígnios das políticas públicas» é o que melhor serve a democracia representativa. Este debate, credor da diversidade de posições político-partidárias, deve ser, sustentou o autarca, realizado «em torno de um núcleo essencial de políticas públicas» coletivamente consideradas «prioridades perenes da organização social». O perigo dos extremismos, relevado pelos «sinais de xenofobia, intolerância religiosa e exacerbado protecionismo», num quadro de «pluralidade cultural», foi outro dos alertas deixados pelo Presidente da Autarquia, que instou os dirigentes políticos a não perderem de vista a necessidade «a necessidade de manter os cidadãos unidos em torno de um programa comumente partilhado que saiba equilibra os elementos de liberdade individual, justiça distributiva, eficiência económica e preservação ambiental». A concluir, João Ataíde sublinhou a urgência de «reforçar as nossas instituições e de incutir nos cidadãos a confiança por essas mesmas instituições», sustentando factualmente a sua credibilidade e apostando na transparência e comunicação dos atos de gestão pública, aqueles a que compete equilibrar «as aspirações e interesses legítimos dos eleitores e os recursos disponíveis sempre escassos», na senda de um País «mais rico, mais livre e mais justo».
A Assembleia Municipal Extraordinária foi encerrada pelo seu Presidente, José Duarte, que incitou os cidadãos a envolverem-se ativamente na vida cívica das suas comunidades, assim honrando o espírito de Abril.
A comemoração dos 42 anos da Revolução do 25 de abril chegou ao fim com as atuações do Coro das Pequenas Vozes da Figueira da Foz que, dirigido pela maestrina Alexandra Curado, interpretou «A Cantiga é uma Arma», de José Mário Branco; do Coral David de Sousa que, dirigido pelo maestro Vítor Ferreira, cantou o tema «Acordai», do compositor Fernando Lopes Graça, e da Filarmónica Sociedade Boa União Alhadense, que tocou «Grândola Vila Morena», de Zeca Afonso, e, a encerrar, a Marcha do Vapor, o hino da Figueira da Foz, tema imortalizado pela voz de Maria Clara, com música de Dias Soares e letra de Pereira Correia.


