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Pedro Santana Lopes anunciou data de abertura de centro de investigação municipal no Abrigo da Montanha
Decorreu na manhã desta sexta-feira, 13 de dezembro, no Auditório Madalena Biscaia Perdigão, a sessão de abertura do 3.º Congresso de Adaptação às Alterações Climáticas da Região de Coimbra, que contou com as intervenções do presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM RC), Emílio Torrão, o reitor da Universidade de Coimbra (UC), Amílcar Falcão, do Secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa e do presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz (CMFF), Pedro Santana Lopes,
A iniciativa, organizada pela CIM RC, a CMFF e a UC, tem como objetivo “obter uma perspetiva atual da problemática das alterações climáticas, identificando os desafios e oportunidades, através da participação de um conjunto de oradores nacionais e internacionais provenientes da área técnica, científica e política”.
Ao longo do dia, oradores nacionais e internacionais de renome abordaram temáticas importantes para a adaptação às alterações climáticas.
Na sua intervenção, o presidente da CIM salientou que o congresso “é o reflexo do compromisso da nossa Região em enfrentarmos os desafios globais das alterações climáticas com determinação e inovação”.
“Este evento demostra de forma clara como a colaboração entre a ciência e a comunidade é essencial para alcançarmos os nossos objetivos”, enfatizou Emílio Torrão que, relativamente à UC, referiu ser “a força motriz na capacitação da região para lidar com os desafios ambientais e a sua colaboração é vital para o sucesso das estratégias adotadas”.
O responsável da CIM RC lembrou que a “nossa região é particularmente vulnerável”, pelo que “há necessidade de adotarmos medidas eficazes de mitigação e adaptação.”
Emílio Torrão apelou a uma “ação imediata consciente e coordenada” e referiu que neste congresso “não nos limitamos a discutir os problemas, estamos empenhados em encontrar soluções práticas e inovadoras e adaptadas às características únicas da nossa região.”
O mesmo mostrou ainda satisfação pelo “regresso do projeto ClimAgir, “peça central na nossa [CIM RC ]estratégia de sensibilização e educação ambiental dos jovens.”
É importante “Estimular a mudança de comportamentos e práticas, visto que a população se apresenta como elemento catalisador, pela forma como integram a adoção de boas práticas, contribuindo para uma região mais adaptada e resiliente aos desafios climáticos.
Emílio Torrão manifestou o desejo de que o congresso “Seja um ponto de partida para as novas colaborações para a implementação de projetos ambiciosos e para a consolidação de uma cultura climática na nossa região
Amílcar Falcão referiu que a UC tem muito interesse nas temáticas das alterações climáticas e que a “criação do Campus da UC na Figueira da Foz assentou sempre nestas questões das alterações climáticas”.
O reitor da UC defendeu que apesar de a Europa não ser o grande gerador dos efeitos poluentes, é um “tema que nos deve preocupar a todos”. O mesmo salientou a questão da erosão costeira na Figueira da Foz, que “é um problema sério”, bem como a alteração da temperatura da água do mar, que provoca problemas na fauna marinha. São problemas que devem ser olhados “com bastante cuidado”, olhados a “20, 50 anos.”
Emídio Sousa, secretário de Estado do Ambiente mostrou-se “particularmente agradado por termos todos a consciência da situação e da necessidade que temos de tomar medidas”.
O governante frisou que o” Governo atual está muito empenhado em planear o futuro, para dezenas de anos”, quer seja nas metas carbónicas, quer nas energias renováveis.
Emídio Sousa defendeu que Portugal está muito bem direcionado no que respeita às emissões carbónicas, e “que é uma oportunidade histórica e uma vantagem competitiva na reindustrialização que a Europa pretende fazer”.
O secretário de estado deixou um desafio para a ação na região centro, no que respeita à questão dos incêndios florestais, criando uma floresta mais resiliente, com espécies autóctones, com faixas de gestão de floresta, e anunciou que o Governo tem 600 milhões de euros para gastar nos próximos 20 anos em operações integradas de gestão da paisagem.
Emídio Sousa manifestou-se contra o “encher o país de barragens” e referiu acreditar que muitos dos problemas de erosão costeira “resultam das barragens”. Deixou ainda um apelo para a ação, porque “há muita coisa para fazer”, e defendeu que de futuro “os portugueses passem de bons planeadores a excelentes executores”.
Pedro Santana Lopes congratulou-se com a “aprovação em Conselho de Ministros e a confirmação do investimento necessário para o «big-shot», “que se concretizará em breve e se traduz num perto dos 30 milhões de euros que “beneficia este território e principalmente os que vivem na margem sul e não só neste concelho”.
O autarca sublinhou ainda a “importância de um sistema de regulação e monotorização, como é o falado «by-pass», um investimento avultado, mas que que permite tirar mais conclusões que permitam por sua vez ser mais eficaz no planeamento e prevenção de fenómenos futuros”.
Pedro Santana Lopes salientou a sorte que a Figueira da Foz tem “agora” de ter este “empenho da Universidade de Coimbra e do seu Campus no desenvolvimento de investigação em todas as ciências ligadas a estas matérias”.
O momento foi aproveitado pelo autarca para anunciar a abertura do Centro de investigação das correntes marítimas, dos movimentos de areias e das alterações climáticas, dia 17 de fevereiro de 2025. Para Pedro Santana Lopes é “talvez, de natureza, o primeiro centro de investigação municipal”.
“O que queremos aqui especialmente estudar são os fenómenos do comportamento das correntes marítimas e dos movimentos de areias, temas tão decantados desde há décadas e séculos nestas terras, da Figueira”, enfatizou o autarca que advogou ainda que “todas as instituições e entidade têm de dar o testemunho e o exemplo, mostrar que estão a trabalhar nesta matéria.”


