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Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se grato pela reabilitação do Mosteiro de Santa Maria de Seiça
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, inaugurou ontem, dia 26 de janeiro, as obras de reabilitação do Mosteiro de Santa Maria de Seiça, situado no lugar de Seiça, na freguesia do Paião.
Na sua intervenção, o chefe de Estado salientou que "não há todos os dias uma obra como esta, a ser revisitada, restaurada, recuperada do passado e projetada para o futuro” e manifestou "gratidão” pela recuperação e reabilitação do Mosteiro, que resulta de um “encontro de muitas vontades”, do “talento e do mérito dos autarcas”, contudo considerou que “o grande mérito é da comunidade”.
“O primeiro passo foi dado” disse o presidente, que enfatizou o facto de “ser tão raro no todo nacional que vale a pena aproveitá-lo ao máximo” e que “agora temos de fazer disto [do Mosteiro] uma realidade animada, com vida”.
O presidente referiu que “por providência divina ou um acaso” foi Santana Lopes quem iniciou, há quase 25 anos, enquanto presidente de Câmara da Figueira da Foz a recuperação do Mosteiro, ao aprovar a sua aquisição, e que agora, novamente no exercício de funções autárquicas, a acabou.
“Quem teve a felicidade, a intuição, e também o mérito de estar no começo e estar no fim, no mínimo tem uma longa vida, tem muita saúde e tem alguma sorte, porque tantos de nós começamos algumas obras e não vemos o seu fim, e aqui é uma pontaria enorme começar e acabar” enfatizou.
Perante uma plateia de mais de uma centena de convidados e muitos populares - que no exterior assistiam à cerimónia num ecrã colocado para o efeito, Marcelo deu destaque ao trabalho do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, presente na cerimónia e o qual manifestou a necessidade de “convocar e envolver a sociedade na promoção da cultura” e de “tirar partido do património que temos”, e que não devemos “olhar como um conjunto de coisas antigas”.
“É necessário que o nosso património seja fundamentalmente um meio para a criação de comunidades de pertença” disse o ministro que manifestou o desejo de que “este Mosteiro seja um retrato daquilo que deve ser a relação do país com o património”.
Marcelo Rebelo de Sousa destacou a “sensibilidade” que o ministro teve para com o património “desde que iniciou funções”, a qual se traduziu em investimento, aquisição, e na programação da sua recuperação.
Durante o seu discurso o presidente da República lembrou que temos um “património excecional”, que é “a nossa força” e o “legado da nossa persistência”, de quase 900 anos de história.
Pedro Santana Lopes, que deixou uma palavra especial à SMS- Associação dos Amigos do Convento de Santa Maria de Seiça, “pois estiveram cá sempre", salientou que a recuperação do Mosteiro, “que hoje começa um novo ciclo de vida.”, “foi um trabalho continuado”, que “teve a intervenção de vários executivos”.
“Oxalá todo o património em todo o país tivesse este tratamento”, advogou o presidente da autarquia figueirense.
José Alberto Carvalho, presidente da Junta do Paião, elogiou Pedro Santana Lopes, que considerou “o homem certo, no local certo a fazer o que está certo” e frisou que “estamos [junta, município e comunidade] juntos no mesmo desafio” de reabilitar Seiça e exortou todos a “viver Seiça”.
João Campos, presidente da SMS afirmou que “o que o município está a preparar [para o mosteiro] é notável e ultrapassa os nossos sonhos”.
A cerimónia contou ainda com um momento de bênção do monumento, a cargo do bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, e dois momentos musicais protagonizados pela soprano Carla Bernardino, que interpretou Avé Maria de William Gomez, e pelo tenor Luís Pinto que cantou Para ti Figueira com Amor. O acompanhamento instrumental ficou a cargo de Alexandra Curado (piano) e Tiago Moreira (violino).
O mosteiro irá estar aberto para visitas aos fins de semana, das 14h00 às 17h00, já a partir do mês de fevereiro, estando já a ser preparada programação cultural para os próximos meses.


