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Lídia Jorge, a escritora que diz muito obrigada a quem ê os seus livros
A exposição “João Reis – 1889 – 1982 A Intuição da Pintura”, no Museu Municipal Santos Rocha, foi o cenário escolhido para a sessão da passada quinta-feira, dia 25 de maio, de «5as de Leitura», que teve como convidada a escritora Lídia Jorge, que se fez acompanhar da sua editora, Cecília Andrade.
À sessão, moderada por Teresa Carvalho, assistiu uma vasta plateia de admiradores da escritora, em especial Pedro Santana Lopes, presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, que manifestou ser uma honra e um privilégio ter Lídia Jorge na Figueira da Foz.
“Dou graças de ser presidente da Figueira e ter podido estar aqui e ouvir a lição que aqui deu “, frisou.
Santana Lopes disse ainda que ao estar com Lídia Jorge sentiu a mesma sensação que tinha quando estava com Agustina Bessa-Luís. “Senti-me sempre muito pequeno”, revelou.
Ao longo da sessão Lídia Jorge respondeu a várias questões sobre a sua vida e obra. Falou sobre a sua infância. Salientou que se hoje fosse criança talvez não escrevesse livros, pois começou a ler por solidão, contudo os “livros foram uma companhia extraordinária.”
Lídia Jorge lembrou ainda algumas das figuras familiares mais marcantes e até misteriosas da sua vida, como o seu bisavô, um “pobre camponês e tanoeiro, que tinha livros guardados debaixo de uma cama”, referiu.
A autora considerou que “todos nós vivemos com este tipo de imagens” e que quem “não as escreve não as transpira.”
Lídia Jorge referiu que se uma pessoa lê um livro seu, ela diz “muito obrigada”, e que não o faz “por falsa modéstia”, pois há milhares de livros.
Lembrando Eduardo Lourenço, a autora salientou que considera que nós, portugueses “sofremos de hiperidentidade homogénea, pois não temos sequer capacidade de nos dividirmos em grupos que dialogam uns com os outros.”
A editora Cecília Andrade considerou que Lídia Jorge é fascinante pois “transfigura as vivências”. “É o que fazem os grandes escritores, bebem, bebem, bebem do real e depois transfiguram a realidade para a literatura”, enfatizou.
O Pateo das Galinhas- Grupo Experimental de teatro, que tem vindo a colaborar com o Município nas «5as de Leitura» - projeto de promoção e incentivo à leitura com mais de uma década de existência-, protagonizou dois momentos de leitura, por Ricardo Barta - capítulos 15- O turno da noite, e 25- Relâmpago, do mais recente romance da autora que, segundo a crítica “é um dos livros mais audaciosos da literatura portuguesa dos últimos tempos.”, “um testemunho de compaixão para com aqueles que estando limitados pela sua condição de grande precariedade, vivem uma vida de resistência escondida.”
Lídia Jorge tem um percurso notável enquanto escritora, romancista, poeta, autora de obras marcantes nos domínios do conto e da crónica, com numerosas e aplaudidas traduções em diversas línguas. Estreou-se com a publicação de O Dia dos Prodígios (1980), um dos livros mais emblemáticos da literatura portuguesa pós-revolução. Os seus textos têm sido adaptados para teatro, televisão e cinema, e distinguidos com os principais prémios literários nacionais.
Recentemente foi distinguida com Prémio Vida Literária Vítor Aguiar e Silva. A nível internacional destacam-se o Prémio ALBATROS da Fundação Günter Grass e o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas de Guadalajara.


