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II Convenção Internacional dos Enfermeiros reúne quase milhar e meio de enfermeiros na Figueira da Foz
O Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, esteve presente esta manhã, dia 10 de maio, no Grande Auditório do Centro de Artes e Espectáculos, na sessão de abertura da II Convenção Internacional dos Enfermeiros, que contou ainda com a presença de Luís Montenegro, líder do PSD, de representantes de quase todas as forças políticas com assento na Assembleia da República.
O Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou uma mensagem na qual defendeu que a realidade atual “obriga a repensar tudo: a formação, a atualização, as carreiras, a atratividade para não partirem para o estrangeiro”, e apelou à sinergia, “inter-relação com os outros profissionais de saúde, porque é um trabalho de equipa e só há serviço de qualidade com trabalho de equipa”, salientou.
O evento, com o tema “O Futuro é Saúde”, decorre hoje e amanhã, reúne mais de 1400 enfermeiros de todo o país e tem como objetivo promover o debate e a reflexão sobre os desafios enfrentados pelos profissionais de enfermagem.
Ana Rita Cavaco, que está a encerrar o seu segundo mandato, fez a sua última intervenção como Bastonária da Ordem nesta II Convenção Internacional de Enfermeiros. “Esta foi a viagem da minha vida. Cumpri um sonho e acredito que fiz muitos sonhar. Foi uma viagem improvável, dura, repleta de armadilhas, lutas ferozes e muitas vezes desiguais, mas tive ao meu lado os melhores”, disse.
Dirigindo-se ao Presidente da Câmara Municipal, a bastonária pontuou que, para além de gratidão, gosta de justiça e de memória. “Não me esqueço da ajuda que nos deu no processo da Linha da Saúde 24 em 2009, muito antes da Ordem, quando estava em causa a qualidade e a segurança de um serviço prestado à população. Não me esqueço que esteve sempre ao lado dos enfermeiros, mesmo quando fomos para a rua e havia quem nos quisesse quietos e calados. Esteve lá na marcha branca, naquele dia, em 2019. A verdade é que a história acaba por colocar as coisas no sítio certo. A Figueira da Foz fez-lhe justiça, porque aqueles a que fazemos bem, salvo raras exceções, fazem-nos sempre justiça”.
Também presente na sessão de abertura, o secretário de Estado da Saúde, Ricardo Mestre, manifestou-se satisfeito em estar presente e felicitou a Ordem e os Enfermeiros pela iniciativa “e pela capacidade de constantemente nos colocar a discutir os desafios do sistema de saúde, desafio da sociedade sempre na perspetiva de encontrar áreas de melhoria”.
Pedro Santana Lopes iniciou o seu discurso agradecendo o convite para participar da sessão solene e, principalmente, pela escolha da Figueira da Foz para a realização da convenção.
Ao referir-se a Rita Cavaco, o autarca sublinhou que a bastonária sempre se destacou por dizer o que pensa. “É uma daquelas pessoas que mais dá gosto de ver na vida. Agora, que está a terminar o seu mandato, fala das dificuldades que enfrentou e dos ataques que sofreu.
“Senhora bastonária, com a sua maneira de ser, de liderar, de mobilizar, estranho seria se não fosse atacada, que não fosse censurada. Quero dizer que, para além de amigo, sou um grande admirador seu”, frisou.
Dirigindo-se ao Secretário de Estado da Saúde, o autarca referiu o facto de a Figueira da Foz não ter nenhuma cama na Rede Nacional de Cuidados Continuados. “Eu ouvi-o descrever aqui todos os serviços, o que vai ser criado. Mas a questão, muitas vezes, é saber onde o vamos fazer. Há 48 camas de cuidados continuados atribuídas a um Concelho vizinho que nunca foram usadas e as autoridades regionais de saúde dizem-nos que para a Figueira não há camas pois o Distrito já tem muitas camas”.
O Edil fez questão de salientar ainda que os que ficaram com essas camas atribuídas, parece que vão vender a licença. “Venho de Lisboa, sou figueirense adotado. Conheço aqueles corredores, sei das decisões, sei como é difícil ter camas na rede nacional de cuidados continuados e revolto-me por ver portugueses de alguns sítios do país a não terem o mesmo direito de outros”, enfatizou.
Para o presidente da Câmara, os enfermeiros são a trave-mestra do sistema de saúde, mas são também eles que têm de ir para fora do país porque em Portugal não encontram as condições ideais de trabalho.
“Isto é um paradoxo enorme. Somos um dos países que têm menos enfermeiros por habitante, por médico, na Europa, tendo apenas dois países atrás, nestes indicadores. Que sentido é que faz, sendo a saúde o primeiro dos bens, dando-se tanta importância ao Serviço Nacional de Saúde e sendo os enfermeiros a trave-mestra do sistema? Todos temos esta noção de que eles são tão essenciais, e são mesmo. Todos nós precisamos dessas senhoras e destes senhores aqui”, finalizou.
O programa de hoje, da II Convenção Internacional dos Enfermeiros, contou com a intervenção, nomeadamente de: José Luís Cobos, membro do conselho diretivo do International Cuncil of Nurses (ICN); Margarida Tavares, Secretária de Estado da Promoção da Saúde; Major Gouveia e Melo, Chefe do Estado Maior da Armada, Autoridade Marítima Nacional, e antigo coordenador da Task Force para o Plano de Vacinação contra a Covid-19 em Portugal; Isabel Olm Cunha, Editora da Revista Científica Enfermagem em Foco do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) do Brasil; Maria de Belém Roseira, antiga Ministra da Saúde; Asta Thoroddsen, da Faculdade de Enfermagem da Universidade da Islândia, Presidente do Conselho Editorial da CIPE e Diretora do Centro de I&D da CIPE da Islândia; Pedro Marques, Coordenador da Unidade de Advanced Analytics and Intelligence, dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde; Samuel Frade, da Binaryscope Solutions, e Raúl Barbosa, Professor assistente do Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra; Fernando Araújo, Diretor Executivo do Serviço Nacional de Saúde; Márcia Regina Cubas – da Escola Politécnica - Pontifícia da Universidade Católica do Paraná; Leandro Luís, da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Abel Paiva, Professor da Escola Superior de Enfermagem do Porto.


