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Município homenageou Madalena Azeredo Perdigão, uma 'figura ilustríssima' que tanto fez pelos portugueses
O Município da Figueira da Foz evocou na tarde de ontem, sábado, dia 29 de abril, pelas 15h30, o centenário do nascimento de Madalena Biscaia de Azeredo Perdigão, nascida a 28 de abril de 1923, na Figueira da Foz.
A cerimónia realizou-se no Auditório Municipal, que passou a designar-se «Auditório Madalena Biscaia Perdigão».
Após o descerramento da placa comemorativa, familiares da homenageada, entidades oficiais e populares, assistiram à exibição de um vídeo que evocou «Milena», como era carinhosamente tratada no seio familiar.
Seguiram-se as intervenções da representante da família, a neta Madalena Azeredo Perdigão e do presidente da Câmara Municipal, Pedro Santana Lopes.
Madalena Azeredo Perdigão, que nasceu poucos dias antes do falecimento da avó, disse que a conhece apenas por imagens, por histórias contadas pelo pai. A mesma aludiu ao período histórico-social em que a avó viveu e recordou o papel das mulheres na sociedade desse tempo. Enfatizou que ela [a avó] era uma mulher bonita e inteligente que “deixou-nos a obra, deixou-nos o exemplo e a coragem de correr riscos”.
Pedro Santana Lopes, considerou emocionante, nos temos em que vivemos, “ver uma história tão bonita, ver falar de família”, de “alguém que tanto se distinguiu, com uma história emocionante pela capacidade que teve para utilizar as suas qualidades e os seus enormes atributos, ao serviço de um país em tantos domínios atrasado e com tanta falta de formação e gosto pelas artes e pela cultura”.
O autarca lembrou que Madalena Biscaia de Azeredo Perdigão, muitas vezes chamada de “Senhora Ministra da Cultura», já foi homenageada pelo município em mandatos dos seus antecessores, mas considerou que “tem de ser mais homenageada, mais vivida, mais lembrada, mais homenageada, nesta terra que é a sua. “
“Esta ideia que tivemos de dar o seu nome ao Auditório do Museu, é de extrema gratidão por aquilo que sabemos ter sido a sua intervenção decisiva no apoio da Fundação Gulbenkian, à edificação de todo este polo cultural”, enfatizou Pedro Santana Lopes que disse ainda que será muito bom que, no dia-a-dia, as pessoas possam “deparar-se com o seu nome, com a lembrança da sua obra”, “num espaço de cultura que é tão utilizado por pessoas de todas as idades”.
Santana Lopes referiu que acha “bem que o país, as cidades, as terras, continuem a saber cultivar os maiores” e que em sua opinião “a Doutora Madalena Perdigão é uma figura ilustríssima.”
Já a terminar a sua intervenção, deixou um sentido agradecimento a Madalena Azeredo Perdigão “por tudo o que fez a tantos portugueses, por tantos portugueses” e “por aquilo que fez e intercedeu em favor da sua terra”, realçando que “é muito bonito ser assim”.
«Do lirismo musical à vertigem da dança», recital de piano por Teresa de Palma Pereira, encerrou a cerimónia.
Lembramos que Madalena Biscaia de Azeredo Perdigão foi uma das personalidades fundamentais para o desenvolvimento da educação artística e do ensino da música em Portugal, antes e após o 25 de abril de 1974, para além do seu papel primordial na criação do Serviço de Música e do Serviço ACARTE, na Fundação Calouste Gulbenkian”


