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49º aniversário do 25 de abril celebrado em Moinhos da Gândara: 'um compromisso entre passado, presente e futuro'
O presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz marcou ontem presença na sessão extraordinária da Assembleia Municipal (AM), comemorativa do 49º aniversário da Revolução de 25 de Abril, que teve lugar pelas 10h30, na sede da Associação Cultural Recreativa e Desportiva da Gândara, em Ribas, freguesia de Moinhos da Gândara.
Pedro Santana Lopes, que foi um dos 10 oradores da sessão, felicitou José Duarte, presidente da Assembleia Municipal, pela organização descentralizada da sede de concelho, aludindo ao facto de tal decorrer de uma deliberação que, no seu entender “traduz aquilo que deve ser um eixo de orientação política, fundamental em todas as forças políticas”.
Santana Lopes abordou as questões das evoluções tecnológicas “tão desafiantes e exigentes “e avançadas ao ponto de se falar na possibilidade da imortalidade dos seres humanos, para sublinhar o que de facto é essencial na vida: o caráter, os princípios, os valores, a educação o respeito, a categoria, a coerência - princípios que a seu ver “devem nortear também a ação política” e cujo esquecimento por alguns políticos são o motivo que “mais afasta as pessoas da vida política e dos representantes políticos”.
Para o autarca o que se pôde ver na sessão foi um compromisso entre passado, presente e futuro. E lembrando o passado, para além de saudar o seu antecessor, Carlos Monteiro, cujo trabalho disse respeitar “independentemente das diferenças”, evocou alguns autarcas já falecidos, como Albano Lé- primeiro presidente da Junta de Moinhos da Gândara, e alguns dos Presidentes da Câmara, como Coelho Jordão, Aguiar de Carvalho, Duarte Silva e João Ataíde, todos eles “já desaparecidos “.
Pedro Santana Lopes referiu ainda que “das coisas mais bonitas da vida é a gratidão” e que devemos “homenagear de modo particular aqueles que serviram e aqueles que aqui já nos prometem que podem vir a servir a comunidade”, tendo-se referido, em particular, à oradora convidada, Susana Beatriz Silva Batata e ao representante do Conselho Municipal da Juventude, Duarte Silva Rodrigues.
A finalizar a sua intervenção, o edil deixou uma palavra de agradecimento aos Bombeiros Sapadores, “que atravessam tempos difíceis, com uma greve anunciada para maio” que também ele “no lugar deles faria “, e saudou-os por “cumprirem o seu dever e porem a sua responsabilidade acima daquilo que sentem no interior.”
O primeiro orador da sessão da AM foi o presidente da junta anfitriã, Gilberto Fajardo Oliveira, que disse acreditar que “por muitos anos que passem, por muitos livros se escrevem, por muita história que se ensine e desensine, haverá sempre um antes e um depois do 25 de Abril de 1974.” Já a oradora convidada, Susana Beatriz Silva Batata, advogou que os “políticos têm a obrigação de garantir os estados democráticos, garantindo e estimulando a participação política dos jovens”.
Em representação da Associação 25 de Abril, o coronel Carlos Cachulo e Costa recordou a “importância substantiva” que a guarnição da Figueira da Foz teve nos acontecimentos do 25 de Abril, em particular os coronéis Eduardo Dinis de Almeida e Carlos Veríssimo da Cruz, frisando que “estiveram na busca de um país liberto, de uma vida limpa, de um tempo justo”.
Duarte Silva Rodrigues, representante do Conselho Municipal da Juventude disse ser “tempo de nos virarmos para o futuro”, pois no seu entender “mais do que proclamar Abril é necessário efetivar e preservar Abril”.
Pedro Miguel Jorge, do BE, 'abriu´ a sequência de intervenções políticas descrevendo o 25 de Abril de 1974 como “o dia que veio por termo à longa noite do fascismo”, que veio dar a “vitória da unidade sobre a divisão, do todo democrático sobre a dissensão imposta por um regime exclusivo e opressor.”
Silvina Queiroz, pela CDU realçou que “comemorar esta efeméride é uma obrigação de todos os portugueses que amam a liberdade, a democracia, o estado de direito”. Já Paulo Martinho Pinto, em representação do PSD, deixou um pedido: “que se faça um esforço para melhorar a todos os níveis o nosso país, a fim de nos congratularmos com o desígnio democrático que foi inscrito em Portugal, no longínquo 25 de abril de 1974.”
O grupo de cidadão eleitos Figueira a Primeira fez-se representar por Gonçalo Faria, disse considerar que “o 25 de Abril não é de uma geração, mas de todas” e frisou que “é preciso refletir sobre o que falta conquistar e sobre o que resultou menos bem”.
O deputado do PS, José Fernando Correia, enfatizou a “sensação da existência generalizada de falha de rigor ético na condução dos negócios públicos” e formulou votos de que “os ventos mudem” e que “um crescente nível de exigência cidadã” e a “existência de uma sociedade mais livre, mais informada e mais plural, possam aplacar o fenómeno”.
José Duarte, presidente da AM encerrou as comemorações reconhecendo que “nos últimos 49 anos nem tudo correu bem”, contudo a “liberdade é um direito de todos e para todos”. O autarca lembrou o comendador Rui Nabeiro, considerando que o “seu legado imaterial deve ser um exemplo para todos os que nos governam”.


