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5as. de Leitura com João Pinto Coelho e "Os loucos da rua Mazur"

2018 04 23 5as

Inglaterra, Estados Unidos da América. Lisboa, Murça, em Trás-os-Montes. As vivências do arquiteto João Pinto Coelho fizeram-no, e fazem-no, passar por muitas geografias. A 19 de abril de 2018 trouxeram-no à Figueira da Foz para apresentar, em mais uma sessão do ciclo 5as de Leitura na Biblioteca Municipal, o romance com que venceu o Prémio LeYa 2017, "Os loucos da rua Mazur", uma ficção colocada em ação num cenário parisiense sobre um massacre ocorrido, em 1941, na Polónia.

Numa conversa conduzida pelo Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, João Ataíde, João Pinto Coelho falou sobre a polémica que rodeou este que foi o seu segundo livro, com as autoridades polacas a acusarem o escritor português de estar a imputar sentimentos antissemitas e xenófobos ao seu povo. «O que eu disse, numa entrevista à Visão, foi que, se fosse judeu, hoje, não me sentiria confortável na Polónia», explicou, garantindo que esse sentimento extravasa os acontecimentos, entretanto oficialmente rejeitados na História polaca, do verão de 1941, quando os habitantes de uma pequena aldeia, ocupada por alemães e soviéticos, terão dizimado a metade judaica da sua população. «Não foram os alemães nazis, foram os polacos cristãos», asseverou o escritor que, em 2009 e 2011, integrou ações do Conselho da Europa em Auschwitz (Oswiécim), trabalhando de perto com diversos investigadores do Holocausto e realizando várias intervenções públicas sobre a matéria. «Hoje a lei polaca criminaliza qualquer sugestão de que os polacos possam ter estado implicados na perseguição aos judeus», explicou, acrescentando que a sua luta «é pela verdade» e pela compreensão «não da banalidade do mal (Hannah Arendt) mas da universalidade do mal, que não é exclusiva, na 2.ª Guerra Mundial, dos alemães», afirmou. «Em quase todos os conflitos com massacres conseguimos discernir uma razão, um motivo, uma explicação. Eu, ao fim de 30 anos a estudar o Holocausto, sinto que não me aproximei um milímetro da verdade… é, de facto, o parêntesis da História mundial que mais perplexidade me causa», admitiu. E se o passado o preocupa, o presente não o tranquiliza em relação ao futuro. «Hoje, os ventos nacionalistas não sopram só na Polónia ou na Hungria. Há-os bem mais perto de nós, em França, em Inglaterra», alertou.

Sobre um próximo livro, João Pinto Coelho preferiu nada avançar. «Tenho sempre de fazer, primeiro, o meu luto. Mas sim, acredito que acontecerá, porque já sinto o bichinho da escrita», confidenciou.

O serão literário terminou com a habitual sessão de autógrafos e conversas informais entre escritor e leitores, à volta de chá de limonete.

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