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Almeida Faria conquistou as 5as de Leitura de junho

2017 06 5asleitura

O escritor Almeida Faria (Montemor-o-Novo, Alentejo, 1943) foi o convidado da sessão de 22 de junho de 2017 do ciclo 5as de Leitura, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz.

O serão literário, que começou com a música do dueto de trompetes do Conservatório de Música David de Sousa, composto por Adriano Franco e Xavier Gomes, contou com a moderação do Vereador da Cultura, António Tavares, e com a apresentação da vida e obra do autor a cargo da  Prof. Doutora Cristina Robalo Cordeiro.

«Vivemos ‘juntos’ há 40 anos, ou seja, desde que, aos 18, li “A Paixão” e me apaixonei pela obra, muito rica, deste escritor único no panorama português», principiou a catedrática. Da Tetralogia Lusitana, que incluiu ainda os títulos “Cortes”, “Lusitânia” e “Cavaleiro Andante”, Cristina Robalo Cordeiro regressou a “Rumor Branco”, o romance de estreia de Almeida Faria que, então com apenas 19 anos, surpreendeu o país ao romper com a linha neo-realista então vigente, optando pela via do existencialismo, corrente de que Vergílio Ferreira era o rosto, ou a pena, mais popular. Alheio à polémica que suscitou, o jovem escritor amadureceu e, com ele, a voz do escritor, ou as vozes das personagens de que um dia, recordou Cristina Robalo Cordeiro, o próprio admitiu ser «ventríloquo». A docente universitária passou em revista essas personagens múltiplas vezes retomadas pelo autor e reconhecidas pelos seus leitores, a ponto de se tornarem «companheiros, amigos, vozes interiores», numa obra «com uma lógica de continuidade e quase obsessiva», em que predominam «os diálogos intertextuais e com as artes, as cidades, as músicas».

De Almeida Faria, Cristina Robalo Cordeiro relaçou ainda «a força da palavra, sarcástica ou poética, realista ou vernácula», que se impõe por si ou «pelo silêncio» a que acede.

Em nome próprio, Almeida Faria afirmou que gostaria de ser, ainda, «um escritor clandestino», autor de livros que, admite, foram a sua «grande razão de viver, e a terapia para grandes desgostos e raivas», como as que guarda, ainda, da «opressão, das trevas e da censura». O autor, que vê «a arte como salvação, como uma forma de religião ou de transcendência», assume que vê nos seus livros a forma do seu pensamento poder permanecer quando a vida terminar. De todos os seus livros, destaca “Rumor Branco” como «obra de rebeldia» e “O Conquistador”, agora reeditado, por ter sido a obra em que mais «francamente» arriscou, ao «pegar no mito de D. Sebastião e fazê-lo regressar numa manhã de nevoeiro para fazer o que o Rei nunca faria, explorar a sua vocação erótica».

A noite terminou, como habitualmente, com uma sessão de autógrafos e a continuação das conversas à volta dos livros e do chá de limonete.

Em julho, as 5as de Leitura estão de regresso com Gonçalo Cadilhe, dia 25, a partir das 21h30, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. 

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