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Museu Fora D’Horas com António Manuel Ribeiro: «Eu estava lá» quando o Rock português nasceu

2017 01 18 uhf

O ciclo Museu Fora D’Horas arrancou esta quarta-feira, dia 18 de janeiro de 2017, no Museu Municipal Santos Rocha. António Manuel Ribeiro, o carismático líder dos UHF foi o convidado do Município da Figueira da Foz, representado pelo Vice-presidente, António Tavares, e da organização, a cargo de Nuno Furet, da AzimuTTe Zero- Aventuras e Rumos 4x4, parceira do Município na concepção do projeto.

Na Sala de Arqueologia, António Manuel Ribeiro partilhou com os presentes muitas recordações da sua vida e da história dos UHF, a banda que, com «Cavalos de Corrida», no início da década de 80 do século passada, virou a página do Rock português. «Com ‘Cavalos de Corrida’ e o ‘Chico Fininho’, do Rui Veloso, a música em Portugal muda, o paradigma muda. Porquê? Porque os discos se vendiam às pazadas, porque a indústria começou a ganhar dinheiro e a funcionar e os próprios estúdios mudam», explicou. Por essa altura os UHF já contavam com mais de uma centena de concertos. De então para cá contabilizaram mais de 1700, nem todos fáceis, muitos memoráveis, fosse pela ausência de carro - «íamos num táxi de um amigo» - ou pelas avarias a meio de uma ponte, fosse pelos excessos de alguns ou pelos primeiros públicos que, nas cidades ou em pequenas aldeias, «não sabiam ainda bem ao que iam». António Manuel Ribeiro recordou a estranha sensação de enfrentar cinco mil pessoas num concerto dado numa aldeia com trinta casas. «Chamávamos-lhes aldeias vietnamitas porque era como se as pessoas viessem de baixo do chão», brincou. Também os atrasos nas atuações foram lembrados. Na Figueira da Foz, em 1985, no âmbito de um concurso nacional de DJs que era intercalado por várias bandas, incluindo UHF e Trovante, no Coliseu Figueirense, a atuação marcada para a uma da manhã acabaria por acontecer já com o sol a nascer, às seis e meia. «Eu, o João Gentil e o Represas tivemos tempo de nos embriagar e ficar sóbrios três vezes», confidenciou o músico. Mas houve episódios mais sérios. António Manuel Ribeiro não escondeu as dificuldades da banda, e de muitas bandas que deram cartas naquela década inicial do rock, em que também as drogas duras mudaram o país. Ativista contra a toxicodependência, o vocalista que não sabe fumar e não aguenta olhar para uma seringa é peremptório: «Não são precisas drogas para ser artista». Pela banda, porém, passaram vários músicos que sofreram com a adição. «Foi muito duro», admitiu. «Mas, olhando para trás, foi giro. Perdi muito, sobretudo a nível familiar, mas ganhei muito também. Foi bom construir algo onde não havia nada, porque até então o que existia era o rock dos betinhos», brincou. «E eu posso falar disso, não porque ouvi contar mas porque eu estava lá», concluiu.

Na despedida, o vocalista dos UHF agradeceu o convite para inaugurar o ciclo Museu Fora D’Horas, considerando que é uma boa forma de afirmar os museus como espaços vivos. Para António Manuel Ribeiro, a Figueira da Foz consolidou-se assim como um palco de primeiras vezes: seja a tocar às 6h30 da manhã numa praça de touros, à conversa na sala de arqueologia de um museu ou, recordou ainda, no «fantástico concerto» que, a 30 de julho de 2016, no CAE, colocou os UHF em palco com a Orquestra Nacional de Jovens, uma formação com jovens músicos de todo o país, que tem sede na Figueira da Foz. «Era para ser um espetáculo único mas a verdade é que já temos vários convites para mais concertos», adiantou, revelando ainda que, para 2018, está já marcada a edição de um novo trabalho dos UHF, a comemorarem, então, 40 décadas de carreira.

A noite não estaria completa sem a voz e a música de António Manuel Ribeiro que, para delícia dos fãs presentes, interpretou «Íntimo», «Toca-me», «O tempo é meu amigo», «Noites Lisboetas» e, claro, «Cavalos de Corrida».

Até maio, o Museu Fora D’Horas vai ainda receber, sempre com entrada livre, José Pedro Gomes (16 de fevereiro); Francisco Menezes (16 de março); Sérgio Castro (18 de abril), dos Trabalhadores do Comércio e o ilusionista Mário Daniel (20 de maio).

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