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Figueira da Foz prepara-se para as alterações climáticas

2016 02 10 climadap

 

Alterações climáticas, como o aumento da temperatura média e da precipitação concentrada em períodos curtos ou subida do nível médio do mar, parecem inevitáveis, embora a gravidade dos cenários varie em função da disponibilidade das comunidades humanas para alterarem os comportamentos que estão na sua base. Independentemente da evolução da situação nas próximas décadas, é certa a necessidade de prever, para prevenir os efeitos que as alterações climáticas terão, de forma transversal, na vida dos cidadãos e até na morfologia dos territórios.

Foi para refletir sobre estes eventuais problemas, soluções e medidas de prevenção ou adaptação que a Figueira da Foz se candidatou ao programa ClimAdaPT.Local – Estratégias Municipais de Adaptação às Alterações Climáticas, promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente. Em 2015, o município figueirense foi um dos 26 selecionados, tendo dado início a um trabalho de diagnóstico para apurar quais as vulnerabilidades do concelho.

No passado dia 18 de fevereiro, o Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz acolheu o workshop local do ClimAdaPT.Local “Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas”, participado por dezenas de representantes de empresas, indústrias, autárquicas e unidades de proteção civil, os quais foram convidados a dar o seu contributo.

Na sessão de abertura, presidida por João Ataíde, Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz e da Comunidade Intermunicipal de Coimbra, sublinhou que as alterações climáticas têm um efeito direto sobre o nosso quotidiano e na gestão dos recursos, apontando a erosão costeira, a falta de sedimentos na linha de costa e as alterações dos sistemas de proteção dunar, como algumas das principais preocupações da Figueira da Foz. Realçou ainda que os riscos de cheias ou os incêndios, facilitados pelos períodos de seca grave, e o aumento da temperatura média anual, são outras das situações que merecem uma atenção redobrada de um município banhado pelo rio Mondego e que integra territórios florestais de grande dimensão. O cadastro das propriedades rurais e florestais, a boa gestão intermunicipal de barragens, processos de desassoreamento e as intervenções nas malhas urbanas, foram algumas das soluções avançadas pelo autarca. No que se refere à erosão costeira considera que esta deve ser acautelada com intervenções cientificamente sustentadas, integrando nos planos municipais as medidas preventivas necessárias, nomeadamente aquelas relativas à construção habitacional.

Luísa Schmidt, investigadora da Universidade de Lisboa que coordena o 'ClimAdaPT', apresentou o diagnóstico concelhio, e o Coordenador do projeto ClimAdaPT.Local, Filipe Duarte Santos (FCUL), apresentou em vídeo, os cenários previsíveis para o nosso Concelho, destacando-se: a subida do nível médio da água do mar; as ondas de calor; a diminuição da precipitação média anual e respetiva concentração em períodos curtos; o aumento da frequência de secas e da temperatura média anual, até 6º C. À técnica da autarquia, Paula Pereira, coube apresentar as opções de adaptação local às alterações climáticas, apontando ainda oportunidades, no âmbito da chamada Economia do Mar e das novas culturas.

Quatro técnicos do Município participaram ativamente na identificação das vulnerabilidades atuais e futuras e definiram as opções de adaptação que, com os contributos deste workshop, vão ser incluídas nos vários instrumentos de gestão e ordenamento do território, cujo resultado final será o documento sobre a Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas e a implementação das ações respetivas. O trabalho dos técnicos conduziu à elaboração de 31 medidas de adaptação do Município às alterações climáticas, destacando-se como mais urgentes: a alimentação artificial das praias do concelho através da transposição de sedimentos acumulados junto ao molhe norte e canal de navegação.

Do leque de medidas preconizadas neste plano consta ainda a criação de um cadastro rural e a dinamização da bolsa de terras, em que a Figueira da Foz foi pioneira, para potenciar o uso de terrenos abandonados, e de ZIF’s para promover a gestão florestal e reduzir o minifúndio. No que se refere à proteção dos ecossistemas mais frágeis, a CMFF, juntamente com o ICNF, está a desenvolver um projeto para a Serra da Boa Viagem, Cabo Mondego e Lagoas da Vela e das Braças.
A Vereadora Ana Carvalho realçou que a instalação do laboratório Marefoz, em janeiro deste ano, contribuiu para que a Figueira da Foz entrasse na teia do conhecimento definida através do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente. A verba afeta ao projeto pelo município destina-se a efetuar uma caracterização do Estuário e da Ilha da Morraceira, destacando as suas potencialidades, bem como as ameaças a que este ecossistema está sujeito, definindo as ações para melhorar a qualidade das massas de água.

Conhecidas as previsões, os participantes do workshop foram convidados a integrar uma de cinco mesas temáticas, debatendo questões setoriais, num trabalho desenvolvido ao longo de três horas. As conclusões apresentadas incluíram:

  •  Zonas costeiras: transporte das areias em excesso no areal da Figueira da Foz para as praias a sul;
  •  Recursos Hídricos - foi considerada fundamental a obra de manutenção do canal que abastece todo o concelho, competência da Agência Portuguesa do Ambiente, e ainda a promoção da reutilização de águas residuais;
  • Floresta e Agricultura - limpeza das matas e ordenamento florestal, processos que deverão seguir-se ao necessário cadastro das propriedades rurais; dinamização da Bolsa de Terras; circuitos de gestão do tratamento dos resíduos florestais e criação de ZIFs (Zonas de Intervenção Florestal);
  • Energia, Saúde e Edificado – colaborar com as populações mais frágeis e com menos capacidade - pela idade, pelo isolamento ou pela debilidade económica - nas adaptações necessárias nas suas habitações; nas novas construções, a orientação dos edifícios, a sua eficiência energética e a qualidade dos materiais deve ser matéria de aconselhamento e fiscalização;
  • Turismo e Espaços Verdes: aumento das hortas urbanas, promoção dos percursos pedonais, melhoria dos acessos às praias, aproveitamento ambientalmente sustentado da Ilha da Morraceira e respetivos recursos naturais;
  • Indústria: fomentar a necessidade de utilização de tecnologias “mais limpas”, apoio ao turismo de natureza e divulgação científica.

 

No encerramento da sessão a Vereadora Ana Carvalho anunciou a criação, para breve, da Comissão para a Adaptação Municipal às Alterações Climáticas, e lançou o repto às universidades nacionais para contribuírem ativamente para o estudo destes novos desafios que o país enfrenta. A Figueira da Foz vai continuar a desenvolver o projeto, agora com o know-how dos quatro técnicos formados pelo programa ClimAdaPT. Local.

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